02 November, 2005

A Fonte de Morpheu

Ó Noite porque não vens,
E não me embalas no teu regaço?
Queres que te veja nada e morta,
E não beba o mel que tu conténs?


É então que Morpheu, por fim, vence
E pelo cansaço se aproxima
É o turpor que em mim se instala
E a razão já não convence.


Agora já só o Sono dita.
Só Ele cogita e conjura
E faz da sua Ditadura
Fonte que jorra infinita


Fonte de mel, apetecida
Que quer furtar a realidade
No seu regato há crueldade
Por não dizer se é dela a Vida.



Florbela Espanca

0 Comments:

Post a Comment

<< Home